Autismo

Se reconhecendo autista

Hoje vou falar de como me reconheci no Espectro do Autismo. Durante 29 anos em minha vida eu me dediquei a desenvolver as habilidades necessárias que me permitissem viver em sociedade, ser aceita nos grupos sociais tais como escola e trabalho. O sentimento de inadequação e não pertencimento me acompanhava desde a infância. Sofri bullying durante toda minha vida escolar e não encontrava nenhum grupo social que me sentisse parte

Mas em 2017, depois do diagnóstico de autismo do meu filho, tive a certeza que também sou autista. E tudo se intensificou com a mudança do interior para a Capital do Estado para tratar meu filho. Com a mudança veio o aumento da demanda no trabalho, as metas do tratamento do meu filho, e lidar com os desafios sensoriais e sociais diários de uma cidade grande se tornou doloroso.

Me aceitar autista não foi algo fácil, ainda estou trabalhando a autoaceitação. Embora saber do autismo me ajudou a entender coisas que me perturbavam e confundiam desde a infância, aceitar que sou diferente e não saber como as outras pessoas viam e sentiam o mundo me perturbou durante muito tempo.

E mesmo estando cercada por muitas pessoas, esta etapa da minha vida foi um tempo de solidão, ressignificação e resignação. Palavras difíceis para dizer que foi um tempo de dar novo significado a tudo que conhecera e simplesmente aceitar tudo aquilo como algo que não podia ser mudado mas apenas vivenciado.

Eu passei por todas as fases do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Sempre tive o cuidado de não usar o autismo como muleta. Inclusive minha psicóloga diz que eu me desafio mais até que as pessoas neurotípicas. Não quero que o austimo me limite, e saber que estou no espectro me ajudou a interagir melhor com as pessoas, a respeitar meus limites, a respeitar meu corpo e a respeitar minha mente.

No entanto, as cobranças das pessoas são muito altas, porque não pareço autista! Escuto diariamente piadas e críticas quando informo que sou autista. Por quinze anos eu fiz terapia com o objetivo de atingir os padrões da sociedade para me encaixar, me sentir aceita. Hoje eu faço terapia para me entender, me respeitar e respeitar os outros. Sei que jamais atingirei as expectativas dos grupos sociais que estou ligada.

Antes de saber do autismo eu vivia em crise porque me forçava a estar entre pessoas mesmo quando meu corpo não aguentava mais. Porém eu não sabia porque ficava assim, e sempre era tachada de antissocial. Me desfazer desta pessoa que se sacrificava para se encaixar está sendo um longo processo, ainda estou procurando o meu ponto de equilíbrio entre as pessoas, e este blog é parte do processo.

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